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É fato que a pauta ambiental é hoje crescente nos veículos de comunicação. Se é interesse do veículo ou mera demanda mercadológica não se sabe, mas a cobertura sobre as temáticas ambientais toma conta das páginas dos jornais, da televisão, dos sites e se mostra como um importante campo de investigação e produção.
Há quase sete anos pesquisando a relação entre comunicação, mídia e meio ambiente, desde minha iniciação científica, posso sinalizar aqui, ainda que timidamente, para as principais características da imprensa. A minha dissertação de mestrado – “Os paradigmas da imprensa na cobertura das políticas ambientais” - veio para consolidar meus estudos. A pesquisa teve como corpus o ano de 2007, que arrisco denominar como o boom da preocupação ambiental, por conta das publicações dos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), Prêmio Nobel entregue aos cientistas do Painel e Oscar de melhor documentário para “Uma verdade inconveniente”, que aborda as causas conseqüências do aquecimento global. Só para dar alguns exemplos . O que fiz foi avaliar a cobertura diretamente relacionada à política ambiental do Brasil, a partir de um estudo quantitativo e qualitativo de um jornal de grande circulação, no caso, O Estado de S.Paulo. A pesquisa primou pela abrangência no período de 10 meses, fevereiro a novembro de 2007, o que possibilitou identificar, com mais rigor, as características da cobertura ambiental do jornal e sinalizar para conclusões sobre os paradigmas predominantes. A primeira constatação importante foi referente à quantidade de matérias e o espaço que a temática ocupou no período da dissertação. Foram, no total, 774 publicações, o que representa uma média de três matérias por dia, sem contar os cadernos especiais e suplementos semanais que não fizeram parte da amostra. Os textos foram enquadrados em todas as editorias do jornal, com exceção de Esportes, o que evidencia a interdisciplinaridade do tema, as diferentes facetas dadas à questão, mas não representa a pluralidade de abordagens. As matérias ambientais tiveram destaque significativo – 20% delas contaram com chamada de capa, e mais de 56% trouxeram elementos externos ao texto como fotos, ilustrações e infográficos. A quantidade de publicações e o espaço conquistado em diferentes seções do jornal são fatores positivos para uma temática antes marginalizada, que hoje ganha centralidade. É certo que a questão ambiental é impulsionada em datas especiais, publicações de relatórios, divulgação de números e dados de desmatamento, e ainda não consegue transitar de modo adequado pelas diversas pautas do cotidiano. Ficou evidente, a partir da análise quantitativa que O Estado de S.Paulo incorporou o discurso da preocupação ambiental, desenvolvimento sustentável e energia limpa, mas deixou a desejar na abordagem informativa, como foi possível notar com mais clareza nas análises qualitativas.
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