O paraíso das sucatas: Lixo eletrônico chama atenção pela carência de informações PDF E-mail
por Hermes Ribeiro   
Qua, 21 de Abril de 2010 12:07


Lixo em baixo da escada Foto: Hermes Ribeiro

Tive pena daquele sujeito. 

Entrou em minha república, deu-se ao trabalho de saltar um dos muros, ia roubando um, talvez dois monitores já velhos, pifados e sem uso. Tivesse a força e o equilíbrio dos trapezistas, o gatuno intrépido não seria ouvido entre um pulo e outro e, ainda, sua busca aflita por um objeto de qualquer valor – desde que valesse o esforço de carregá-lo pelas ruas afora – não terminaria capturado pelos próprios moradores do Jardim Panorama, bairro onde moro (Bauru/SP). 

Os vizinhos retiveram o personagem de faces tragicômicas até a chegada de uma viatura policial, dando fim ao pitoresco enredo de alguém que, de certa forma, apenas dava um novo desfecho a duas outras personagens periféricas: os monitores inúteis e encostados.

 

Depois do roubo, não se sabe como ficou o ladrão. Os monitores continuam no mesmo lugar: dentro de um carrinho de supermercado, que fica debaixo da escada da varanda, por onde se entra pela frente da casa.

 


Após certo tempo de uso, geralmente quando se compra um aparelho novo, o velho é inutilizado. Nada de errado nessa troca, exceto o destino final daquilo que foi substituído.

Lixo eletrônico, atualmente é uma fonte de diversos problemas, que afeta segmentos distintos do cotidiano, tais como ambiente, econômia, política e comportamento.

A princípio, quando há descuido em jogá-lo em locais inadequados – como terrenos baldios, ou na rua – não emite mal cheiro, nem atrai vetores de doenças (moscas, baratas, ratos, escorpiões). Porém, este tipo pode ser ainda pior que o lixo convencional. O simples despejo gera contaminação do ambiente pela decomposição do eletrônico, que, por sua vez, reage eliminando substâncias altamente tóxicas, como chumbo e mercúrio. Com isso, os arredores (solo, ar e água) ficam contaminados e agregam-se aos ciclos das substâncias vitais (água, nitrogênio e oxigênio).

Para o físico-químico Antônio Carlos Dias Ângelo, o contato com as substâncias tóxicas – chamadas de organo-metálicas, produto de reações entre os metais de uma bateria e o solo, por exemplo – é extremamente nocivo. “Pode causar males desde problemas renais, no fígado e até no sistema nervoso central”, explica.

Esse contágio é do tipo cumulativo, ou seja, não há meios de eliminar os resíduos do organismo. Segundo Antônio, deve-se estabelecer um sistema de reaproveitamento: “apesar de ser caro e não ser fácil, deve ser feito. Considero o investimento nesse projeto tão fundamental quanto ao do tratamento de esgoto”. 

 

 

SUBTEMAS:

Como descartá-lo? 

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Última atualização em Dom, 23 de Maio de 2010 12:25
 

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