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Maria Helena Beltrame preside voluntariamente o Instituto Ambiental Vidágua no município de Bauru. Nasceu em Bariri – Centro-Oeste Paulista – e, com 20 anos, foi morar em São Paulo para terminar o curso de Letras. Na mesma cidade, formou-se em Direito. Uma vez foi passar as férias em Bauru, na casa da irmã, e simpatizou com a cidade. Em 1997, trabalhou na Duratex, empresa certificada pela Iso 14000. Esse seria o início dos contatos com a área ambiental. Como queria “um pouquinho mais do que estava fazendo”, aposentou-se e começou trabalhar voluntariamente. Após passar por comissões de Meio Ambiente da OAB e prefeitura, foi indicada ao cargo de presidente do Vidágua que dia 18/12 comemora seus 15 anos de atuação.
O Vidágua é uma instituição já consolidada. Fundado pelo atual prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, está em atividade desde 1994. O que representa a presidência da Instituição?
Eu me aprofundei nos trabalhos ambientais em junho de 2001, depois de me aposentar. Então, entrei na Comissão do Meio Ambiente (Condema). Em 2000 ia ao Condema apenas para participar. Passei a ser representante da OAB em 2002, e, em 2003, fui convidada a presidir e fiquei por 2 mandatos (2003-2006). Foi nessa época em que comecei a ter contato com todo público ambiental de Bauru. Aí, em 2007, o pessoal do Vidágua me convidou, representando a continuação de um trabalho.
E como foi no período da presidência do Condema?
Foi interessante, foi uma aprendizagem muito boa, porque o Condema é um órgão muito importante em Bauru dentro das questões ambientais. No entanto, determinados setores da sociedade apresentam resistência, dizem que o Condema dificulta o desenvolvimento da cidade. Essas questões, muitas vezes são levadas para Câmara Municipal, onde também há uma certa apatia com o conselho.
Na época em que trabalhava no conselho, Rodrigo Agostinho (atual prefeito do município) era vereador. Ele ajudava vocês?
Evidente, ele sempre participava das reuniões do Condema, tentava convencer os vereadores sobre o nosso lado. Tanto que conseguimos vencer essa embate e mantivemos o caráter deliberativo do Condema. Hoje alguns vereadores participam de reuniões, são favoráveis e entendem que o que se dizia não era verdade.
O que se dizia?
Que a gente segurava os processos, não deixava os processos irem pra frente. Pensavam que implicávamos com minúcias para atravancar o andamento dos processos, mas não é verdade. A gente procura trabalhar o mais rápido possível. A prefeitura é a prefeitura: passa de um órgão para o outro e fica passando. O problema não era especificamente com o Comdema.
Que tipos de conflitos aconteciam envolvendo questões ambientais?
O processo mais famoso foi o de uma área que o grupo Mad queria parcelar. A área foi declarada pelo engenheiro contratado como Mata de Transição. Então, quando o relatório chegou na Semma (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), foi indeferido, porque esse tipo de vegetação é preservado por lei. Após um tempo, entraram com um processo junto ao DePrN - parte do Condema e o engenheiro contratado pelo Depto, avaliou a área como Cerrado. Então, poderia desmatar. Ele levou esse laudo pra gente, sem saber que a área já tinha sido avaliadada. E, quando chegou ao Condema, o pessoal da Semma estranhou, até porque tinha sido indeferido: "mas isso aqui é Mata de Transição". Então, ficou o embate entre o engenheiro do Dprn e o nosso, com dois laudos diferentes. A gente pediu mais uma análise - uma agente do Ibama disse que não poderia aprovar derrubada de espécies da Mata Atlântica - e essa tramitação demora. Assim que atrasou, o grupo mandou uma carta para reclamar e eu respondi que aquilo não poderia ser resolvido pelo Condema, porque era uma questão acima de nossa designação. A história terminou com a área classificada como Cerrado. A área de reserva legal foi criada, mas sem considerar as espécies certas. Inclusive, o Rodrigo, foi pegar umas bromélias de lá para plantar em outro lugar e teve um processo por furto, que não foi adiante, mas serviu pra ilustrar como o pessoal do loteamento não tinha consciência da importância da vegetação.
Eu penso que trabalho em ONG é mais conflito do que de harmonia, você concorda?
Não necessariamente. As vezes a gente trabalha em harmonia, sim. As pessoas envolvidas podem não entender num primeiro momento, mas logo passam a compreender os motivos do trabalho. Em vários projetos de loteamento, os proprietários entendem que certas medidas são melhores para o próprio loteamento. No Vidágua já conseguimos convencer muitas pessoas.
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