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Grupo de manifestantes adolescentes atua em pleno centro da cidade.
Às vésperas do feriado do Dia das Crianças, também da padroeira do Brasil, o que eu menos esperava encontrar, no movimento da Avenida Rui Barbosa, em Assis - região de Marília, SP, Centro-Oeste paulista - eram manifestantes adolescentes em plena atividade contra o consumo de carne.
Dentre as milhares de coisas que se passavam pelos meus pensamentos, uma das principais era qual seria o impacto da mensagem reproduzida por pessoas tão jovens.
Todos ali - pedestres, motoristas e seus passageiros - eram mais (e bem mais) velhos que as moças e os rapazes engajados.
Tal dúvida foi-me bem útil para desconsiderar a forma em detrimento do conteúdo, ou seja, mais importante era saber aquilo que diziam, e não como eles eram.
Afinal, eu mesmo - trajando uma bata do Interunesp - os abordei e fotografei, colhendo breves relatos do que faziam, enquanto usavam máscaras de vacas e de porcos naquele ponto do centro da cidade.
Assim como não se pode imaginar a credibilidade de um repórter de 22 anos, com caneca de chope à tiracolo e bermuda de surfe, é igualmente difícil saber até onde chegariam as vozes de quem costumeiramente fala às paredes.
Daí, pensei em por que pessoas assim, com tais atitudes parecem tão chatas, ao menos aos olhos mais preguiçosos e orientados unidirecionalmente?
É quase uma luta desconfortante: Por exemplo - hoje, no segundo ano da faculdade de Ciências Contábeis - minha prima Gabriela, 20, segue o desafio de ser vegetariana e disse que não é fácil, "exige muita dedicação principalmente no começo".
Ela, há um ano e meio, começou com um queijo quente, provou um pastel com vegetais, mas, no primeiro tento, desistiu, não resistindo a quitudes de carne.
"Faltam opções para se comer fora de casa", explica Gabi, que, depois, buscou informações nutricionais de alimentos de origem não animal e, também outros argumentos - tais como a importância do não desperdício de recursos naturais e de energia - típicos do Vegetarianismo, uma doutrina, muitas vezes, antipática a muitos onívoros.
Adquirir novas informações é fundamental a quem passa a viver segundo novas ideologias, pois a mudança do comportamento cotidiano exige, além de muita disposição, outras mudanças, como o desapego do que damos valor.
Como disse o jornalista André Trigueiro, na entrevista desta edição, "não há nada mais urgente que a vida e a sobrevivência".
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